Nascido nos anos 80, minha única referência de Besouro Verde (Green Hornet) – até dias atrás – eram as lembranças contadas por meu pai, que lá pelos idos dos anos 60 acompanhava a tele série que trazia as aventuras contra o crime do mascarado e milionário Besouro Verde e seu inseparável chofer e também mestre em artes marciais, Kato.
De volta a 2011, Besouro Verde, filme roteirizado, produzido e estrelado por Seth Rogen e dirigido pelo primoroso Michel Gondry, é mais uma história de herói que trata da relação Poder VS Responsabilidade, mas dessa vez, não entenda poder como super força, super saltos, lançar teias e coisas do tipo. Britt Reid (Rogen) é um fanfarrão egocêntrico e imaturo, que após a morte de seu pai repressor, se torna milionário e herdeiro do renomado jornal Sentinela Diária. Tendo ao seu lado o “assistente executivo” Kato (Jay Chou), exímio mestre em artes marciais, habilidoso engenheiro e preparador de um delicioso café, decidem se tornar heróis do dia para a noite, e Britt passa a adotar a identidade de Besouro Verde.
Contando com a ajuda involuntária da secretária de Britt, a perspicaz e apaixonante Lenore Case (Cameron Diaz), a dupla de mascarados, apoiada numa postura um tanto anti-heróica, combate o crime organizado chefiado por Chudnofsky (Christoph Waltz), guiando o espectador ao longo de uma trama que vai se revelando divertida e envolvente, recheada de cafés, cervejas, conflitos, explosões e um carro equipado com metralhadora e lança míssel.
A direção do filme tem o poder de prender a atenção e conduzir o espectador do início ao fim sem cansá-lo, trazendo com uma mão leve e precisa o clima seiscentista característico à tele série sem deixar de coexistir com a época atual em que a história se passa, além de se apropriar de elementos narrativos já vistos em clipes também dirigidos por Gondry. Vale citar que tanto a trilha – impecável, trazendo White Stripes, Johnny Cash e Coolio, só pra constar –, quanto às referências contidas nas entrelinhas do filme – famoso soco de ½ polegada do Bruce Lee que o diga (Bruce interpretava Kato na tele série) – são de arrancar de qualquer um aquele sorrisinho no canto da boca recheado de palpitações no coração.
Em meio aos tempos da terceira dimensão, não pude deixar de notar um grande apelo em exibir por aqui o filme em 3D, sendo que esta tecnologia não se faz como elemento tão presente e importante para o sucesso ou fracasso do filme. Salvo em momentos raros, onde o recurso é utilizado com consciência e pontualidade, em muitas das cenas nem me dei conta de estar assistindo a um filme em 3D.
Besouro Verde é um ótimo filme para assistir, se divertir e discutir com os camaradas enquanto a cerveja esquenta no copo, porém, por raspão não fica entre as preciosidades de Michel Gondry.
Estréia por aqui dia 25 de fevereiro nos cinemas.
O filme é divertido Nada comparado ao desastroso "Homem-aranha 3". A originalidade me lembrou um pouco do Homem-aranha 1 e da série Chuck.